A síndrome cólica em equinos, também denominada abdômen agudo, é caracterizada por dor abdominal intensa e aguda, que afeta os fatores fisiológicos do trato gastrointestinal e leva a alterações sistêmicas no animal (FRANCELINO, et al). Caracteriza-se como uma das principais enfermidades que afetam os equinos, sendo responsável por consideráveis perdas econômicas (seja pelos tratamentos realizados e/ou afastamentos de competições) e óbitos. Os fatores que predispõem a episódios de cólicas são inúmeros, iremos discutir a seguir.

Os equinos são animais herbívoros,ou seja, seu alimento natural é a pastagem. Além disso, possuem somente um estômago pequeno e ajustado para receber de forma contínua, pequenas quantidades de alimento. Estes fatores intrínsecos levam à ocorrência de cólicas associadas ao confinamento, às mudanças súbitas no seu manejo alimentar, às dietas ricas em concentrados (ou alto nível de carboidratos solúveis) e ao consumo rápido do alimento em poucas refeições durante longo período. As dietas com altos níveis de fibra, com baixa qualidade e digestibilidade aumentam a probabilidade de cólicas (LARANJEIRA, et al). Faz-se necessário destacarmos a importância do tratamento dentário regularmente, pois uma reduzida mastigação dos alimentos e posterior ingestão de partículas fibrosas maiores, predispõe ao desenvolvimento de cólicas nos equinos (PEDROSA, et al).

Os equinos que apresentam histórico desta enfermidade, possuem uma maior probabilidade de serem acometidos novamente, por existir uma lesão do episódio anterior ou por uma sequela, fruto de uma cirurgia do trato gastrointestinal (LARANJEIRA, et al). Ademais, a diminuição ou variação do nível de atividade física do animal apresenta-se como fator de risco. Além de que, equinos submetidos a situações de estresse como competições, transportes e alterações de comportamento (como esteriotipias) estão mais predispostos desta enfermidade também.

Outro fator extremamente importante para a ocorrência de cólicas é a ingestão inadequada de água, seja pela disponibilidade restrita, pela qualidade inapropriada ou pela temperatura anormal. Ainda, associamos a ocorrência de cólicas à presença de parasitas no trato gastrointestinal que podem causar sua obstrução ou de vasos sanguíneos que irrigam-no (BERMEJO, et al). Além do uso com frequência de drogas como antiinflamatórios (fluniximmeglumine e fenilbutazona), parassimpaticomiméticos como a atropina e a escopolamina e acaricidas como os organofosforados e o amitraz, predispõem aos episódios de cólicas (LARANJEIRA, et al).

Desta forma, buscamos minimizar os riscos de ocorrência de cólicas por meio de algumas estratégias importantes. Uma delas é o aumento da frequência de alimentação, buscando o maior número de vezes possível em pequenas quantidades, aproximando-o de sua fisiologia digestiva, sendo que a formulação da dieta deve estar de acordo com as exigências de cada categoria. As mudanças da dieta devem ser graduais, a fim de que ocorra a adaptação à nova alimentação. É extremamente importante que a pastagem seja a principal fonte de alimento do equino, procurando supri-la em casos de estabulação com fenos de boa qualidade e digestibilidade e não ultrapassar a quantidade aceitável de concentrado de acordo com a categoria e atividades do animal. Devemos oferecer aos animais água em adequada quantidade, qualidade e temperatura. Realizar o controle rigoroso e periódico de endoparasitas com o auxílio de Médicos Veterinários.

O uso dos medicamentos anteriormente citados, deve ser realizado com cautela e auxílio profissional e também, realizar periodicamente o tratamento dentário dos animais.

Por fim, ressaltamos que a cólica é uma relevante enfermidade nesta espécie e se forem preconizados a fisiologia e o bem-estar animal, realizando o melhor manejo dos animais, diminuímos consideravelmente as chances de ocorrência de cólicas, que levam à tratamentos onerosos e óbitos.

Autora: Paola Juchem, 8º nível, Medicina Veterinária – UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Referências

BERMEJO, V. J., ZEFFERINO, C. G., JUNIOR, J.M.F., SILVÉRIO, M. R., PRADO, F. R. de A. Abdômen agudo equino (síndrome cólica). Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano IV – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral

LARANJEIRA, P. V. E. H., ALMEIDA, F. Q. de. Síndrome Cólica em equinos: ocorrência e fatores de risco. Rev. de Ciên. Da Vida, RJ, EDUR. V. 28, n. 1, jan-jun, 2008, p. 64-78

PEDROSA , A. R. P. Á. de Á. Cólicas em equinos: Tratamento Médico VS cirúrgico – Critérios de decisão. Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária. Universidade Técnica de Lisboa. Faculdade de Medicina Veterinária. 2008.

FRANCELLINO, J. O. R., NAHUM, M. J. C., CABREIRA, B. S., ALVES, C. A. M., ESPOSITO, V., FERREIRA, M. A. Pronto atendimento de síndrome cólica em equinos- Revisão de Literatura. Revista Científica de Medicina Veterinária. Ano XIII – Número 25 – Julho de 2015 – Periódico Semestral

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta