Os Jogos Olímpicos do Rio 2016 reuniram o mundo em nome do esporte.

Este evento tão aguardado pelos atletas trouxe inúmeras emoções e também momentos difíceis acompanhados de decisões ainda mais importantes.

Como no caso da amazona holandesa Adelinde Cornelissen, que teve que fazer uma importante escolha:

Competir ou poupar seu cavalo de 19 anos que ficou doente no dia 9 de agosto, um dia antes da competição de adestramento por equipes?

Adelinde tem imensa gratidão por seu cavalo, que nos últimos anos foi seu parceiro em várias competições e juntos conquistaram várias medalhas, como a de bronze em equipe e a de prata no individual nas Olimpíadas de Londres 2012.

Pelos tantos anos de parceria, pelo carinho e respeito por seu cavalo, o que fazer?

SPOILER: Em vez de terminar os jogos, Adelinde decidiu parar no meio do teste – no meio da arena, com milhares de pessoas assistindo.

TERÇA-FEIRA, 9 DE AGOSTO: AQUELE DIA

A amazona conta que os primeiros dias no Rio foram como o esperado, desde o voo descontraído, aos bons estábulos e ao bom treinamento. Ela observou inclusive que Parzival se sentia feliz e em forma.

Crédito: NOS

Até a manhã do inesperado dia:

“Eu planejei treinar na terça-feira de manhã, então eu estava no estábulo às 6h. Dizendo bom dia para Parzival, vi que o lado direito de sua cabeça estava inchado, ele tinha chutado as paredes. Medi sua temperatura: ele tinha febre de mais de 40 graus, mas ainda não parecia doente.”

Os veterinários analisaram o cavalo e concluíram que Parzival “havia sido mordido por um inseto ou aranha ou algum tipo de animal que produz substâncias tóxicas.” Remédios foram receitados para expelir as toxinas e exames foram feitos.

Crédito: Sina

A temperatura foi caindo de forma gradual e raios-x da mandíbula também foram realizados para garantir que estava tudo bem com o cavalo.

“No final do dia, a febre estava baixa e eu caminhei um pouco com Parzival. Ele parecia muito melhor e o inchaço de sua cabeça era, pelo menos, 1/3 do tamanho desta manhã.”

PRIMEIRA DECISÃO DIFÍCIL

A equipe holandesa pediu à Federação Equestre Internacional (FEI) se poderia trocar a ordem dos lugares e assim dar à Parzival um dia para se recuperar, competindo na quinta-feira em vez de quarta-feira.

Mas a FEI recusou a solicitação.

Crédito: Adelinde Cornelissen

“Naquele momento eu não queria mais competir. A saúde de Parzival é mais importante do que qualquer outra coisa neste mundo!”

Não é preciso perguntar se a amazona ama seu cavalo e preza pela vida dele. Adelinde conta que dormiu nos estábulos para verificar Parzi (apelido de seu parceiro) a cada hora. “Eu não ia deixá-lo sozinho! É claro que eu não consegui dormir.”

UMA NOVA DECISÃO BATE À PORTA

A temperatura do cavalo havia caído para 37,5 pela manhã e o inchaço tinha diminuído mais um pouco. Parzi parecia em forma e ela também não queria deixar a equipe na mão.

“No fundo da minha mente, sabendo que não tínhamos nenhuma combinação reserva aqui. O que fazer?”

Apesar de seu dilema interior, Adelinde disse que entre 7h e 8h da manhã, foram autorizados a montar na arena. Ela decidiu que iriam apenas caminhar e trotar durante 10 minutos e ver como Parzival reagia.

Crédito: Eurodressage

O cavalo parecia feliz e em forma, observou ela novamente e ao voltar para os estábulos a temperatura ainda estava baixa.

Mas:

“Novamente decisões difíceis… O que fazer? Ele está apto agora, mas você sabe o que aconteceu ontem. Ninguém para me substituir caso eu desista.”

Qual a melhor decisão?

Adelinde conversou com o treinador da equipe e com vários veterinários, inclusive com os da FEI, que deram sinal verde para competir. Por causa da febre baixa e pouco inchaço na mandíbula, ela decidiu fazer uma tentativa.

Crédito: Ken Braddick/dressage-news.com

“Quando entrei, logo senti que ele estava dando o seu melhor e sendo o lutador que é, ele nunca desiste. Mas, a fim de protegê-lo, eu desisti… Meu amigo, o cavalo que deu tudo para mim toda a sua vida, não merece isso. Então, eu saudei e deixei a arena.”

#TwoHearts foi o que ela escreveu no final de seu relato no Facebook e de fato, a amazona mostrou o quanto estava em sintonia com o seu amado parceiro.

Esse foi um ato muito nobre que sem dúvida emocionou a todos nós. É possível dizer que doeu para a amazona desistir da competição, mas doeria ainda mais se ao permanecer tivesse causado algum dano ao seu cavalo.

E a equipe holandesa? Alcançou o quarto lugar nessa competição.

Fonte: littlethings.com.

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