As tecnologias no processamento e fabricação de rações têm avançado no sentido de maximizar a eficiência produtiva, minimizar a perda de nutrientes gerando produtos com maior valor agregado. (BELLAVER e MAZZUCO, 2015). Os grãos de cereais são incorporados na nutrição equina para prover energia adicional, no entanto, regras na alimentação devem ser seguidas de forma a se evitar riscos como cólica e laminite. Recentes avanços no processamento industrial dos alimentos têm feito grande contribuição para atenuar estes riscos, facilitando a digestão dos grãos e tornando alimentos mais seguros. (GOBESSO, ETCHICHURY e GONZAGA, 2010). Podemos encontrar como principais tipos de processamento as rações na forma: farelada, peletizada e extrusada.

A ração farelada passa por um processamento bem simples, que basicamente consiste na pesagem dos ingredientes que vão compor a ração, e moagem, seguindo para os silos de armazenagem ou já sendo ensacados para o consumo. A peletização consiste na compactação dos componentes da ração, formando pequenas unidades chamadas pelets. Para essa transformação, umidade, pressão e temperatura estão envolvidos em todo processo, porém em menor intensidade, resultando em um grau de cozimento menor. Quando tratamos de ração extrusada, é um processamento caracterizado também pelo cozimento em alta pressão, umidade e temperatura, num curto espaço de tempo, em média 10 a 30 segundos.

Os benefícios do processamento da ração têm sido reconhecidos cada vez mais. De acordo com tratamento térmico que o alimento é submetido, pode melhorar seu valor nutritivo. O principal modo de ação é a influência do processamento sobre a digestibilidade, segundo MCCRAKEN (2002 apud LÓPEZ et al. 2007), porém para escolha do tipo de processamento é necessário o conhecimento das preferências do animal, vantagens da ração e também o custo final do produto, se o processamento custa mais do que aumenta a digestibilidade o custo adicional não vale a pena (LON, 1985).

Tomando conhecimento dessas informações, a ração farelada apesar de mais barata para a alimentação de equinos, não é muito utilizada. LON (1985), afirmou que a moagem fina aumenta os problemas digestivos e perda de alimento. Além disso, as rações fareladas produzem muito pó que, se inspirados pelo cavalo, este pode ser acometido com problemas respiratórios, principalmente se o animal vive confinado em cocheira o dia todo. É importante ressaltar que um dos principais parâmetros para avaliar dietas de equinos é a concentração plasmática de glicose e insulina, pois a glicose é a fonte principal de energia, e a insulina permite que a glicose passe do sangue e entre na célula, ou seja, a insulina permite que a glicose seja utilizada. Com base nisto, RALSTON & BAILE (1982 apud GOBESSO, ETCHICHURY e TOSI, 2009), afirmaram que a resposta glicêmica, que é aumentada após a ingestão do alimento, pode ser influenciada pelo tamanho da partícula, também pelo grau de processamento térmico, assim, equinos alimentados com concentrado farelado pode apresentar um pico de glicose plasmática aos 150 minutos após a ingestão, em contrapartida, animais alimentados com concentrado peletizado vão obter um pico aos 180 minutos, sugerindo que mais glicose deve ser absorvida com a ração peletizada.

A ração peletizada é comumente utilizada, pois é mais barata em comparação com a extrusada. A sua utilização vai depender se é um animal lactante, atleta, de trabalho e etc. POTTER et. al (1985 apud CASALECCHI, 2003), concluiu que a peletização pode aumentar a digestibilidade do amido no intestino delgado, e, como resposta disso há um aumento da concentração plasmática e insulina quando comparado por exemplo, com a ração farelada. Em contrapartida HAELEIN, SMITH e YOON (1996 apud D’AURIA, 2005), compararam a digestibilidade de feno de alfafa na forma peletizada, farelada e laminada e encontraram diferenças na digestibilidade da fibra 15% menor na forma peletizada do que nos demais processamentos.

Em relação a ração extrusada, para ANDRIGUETO et al. (2002 apud FAGUNDES, 2005), os alimentos e matérias-primas extrusados foram responsáveis pelo aumento do peso, eficiência alimentar e em alguns casos aumento da aceitabilidade dos ingredientes (alimento). GOBESSO et al. (2008 apud GOBESSO, ETCHICHURY e GONZAGA, 2010), desenvolveram pesquisas que demonstraram que utilizando grãos de milho e sorgo triturados e extrusados em quantidades de 4 g kg/PV, tiveram maior digestibilidade do amido e maior resposta glicêmica naquelas dietas contendo grãos extrusados comparados com os grãos triturados.

Tendo em vista os principais tipos de processamento que são utilizados na alimentação de equinos (peletizada e extrusada), para escolha do processamento, que irá atentar a demanda de nutrientes que o animal necessita, o principal aspecto que deve ser levado em consideração é fase de vida, e qual a finalidade do animal. Por exemplo, se for um cavalo que não demanda tanta energia, que é utilizado alguns dias da semana, para alguns trabalhos ou até mesmo lazer, a ração peletizada pode ser tranquilamente fornecida. Porém, se for um cavalo atleta, ele vai demandar muita energia para realizar as atividades, então, neste caso é indicado a ração extrusada. Faz-se necessário o ponderamento dessas características para obter uma escolha de sucesso.

Texto por: Nathalia Oliveira, 9º período de Zootecnia– Universidade Federal de Goiás, UFG. Goiânia – GO

Edição e Revisão: Deivisson Aguiar, Médico Veterinário CRMV ES 1569.

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